Este é o primeiro de uma série de blogposts que irão tratar de temas relacionados à Black Friday e à segurança dos dados de empresas e clientes. Leia o segundo post aqui, e o terceiro aqui.

 

As mudanças no comportamento de consumo causadas pela crise da COVID-19 levaram empresas, especialmente do varejo, a rever suas estratégias e acelerar processos de transformação digital para atender a uma nova e crescente demanda de consumidores que, com as políticas de quarentena e isolamento, viram como alternativa a migração das suas compras para plataformas digitais.

 

Para além dos consumidores já habituados a adquirir bens e serviços nestas plataformas há todo um novo contingente de pessoas que, devido às circunstâncias, também está utilizando estes novos canais de consumo. Números recentes coletados pela fintech Superdigital mostram que, no Brasil, entre as classes C e D, as compras usando aplicativos de delivery cresceram 41% enquanto no e-commerce o aumento foi de 203%.

 

A perspectiva de liberação e distribuição de uma vacina para a COVID-19 apenas em 2021, e a manutenção das recomendações para manter o distanciamento social e evitar aglomerações apontam que a tendência de aumento no consumo online se manterá pelo menos nos próximos meses.

 

É neste cenário que vamos nos aproximando do período das compras de fim de ano. No calendário, o primeiro grande evento desta temporada é a Black Friday que, em 2020 promete ser um dos grandes testes para as estratégias e para as próprias estruturas dos varejistas e de toda a cadeia de produção que envolve o consumo online.

Black Friday 2020, maior e mais digital do que nunca

 

Alguns números que dão uma ideia da importância da Black Friday para o varejo:

 

1) em 2019, nos EUA, consumidores gastaram US$ 7.4 bi em compras online no fim de semana da Black Friday até a Cyber Monday (Business Insider)

2) No Brasil, o faturamento chegou a R$ 3,2 bi (e-bit/Nielsen), aumento de 28% em relação a 2018.

 

Na visão de analistas ouvidos pelo website Business Insider, neste ano, teremos a aceleração de uma tendência de mudança no formato do evento, que deve focar cada vez mais em plataformas digitais, influenciada pelo impacto da COVID-19:

 

“O que estamos vendo agora nos planos dos varejistas (mudar para o digital e estender o período de festas) é uma aceleração de uma tendência que estava acontecendo antes”.

Ou seja, estamos nos aproximando do que podemos chamar de uma edição histórica da Black Friday. E é claro que ela não vai acontecer sem trazer desafios dentre os quais podemos elencar:

 

1) desafios de ordem técnica: como o aumento do tráfego nos sites e aplicativos;

2) desafios de ordem logística: como a necessidade de atualização constante (e instantânea) de estoques, e, permeando tudo isso;

3) os desafios de segurança da informação, e da proteção dos dados que estão sendo trafegados a cada transação.

 

Afinal, é notório que, à medida em que cresce o consumo em canais digitais, crescem também as fraudes e golpes cujos objetivos incluem o roubo de informações pessoais e dados de pagamento.

 

Desafios de segurança da informação na Black Friday

 

A Security Magazine publicou alguns dados sobre os ataques sofridos na última edição do evento nos EUA que dão uma ideia de como a temporada de compras é visada pelo cibercrime:

 

1) registro de 129.3 milhões de ataques com malware (aumento de 63% em relação a 2018)

2) houve um aumento de 51% nos ataques envolvendo phishing nos dias da Black Friday em comparação com o número médio de ataques diários durante o ano de 2019

3) mais de 639 mil ataques com ransomware computados

 

Como se esses números já não fossem bastante preocupantes, também é preciso considerar a evolução do cibercrime, que acompanha o avanço da tecnologia e dos modelos de comunicação e interação das empresas com seus clientes.

 

Por exemplo: alguns dados que eram considerados relativamente básicos e não tão passíveis de serem usados em golpes como endereço de e-mail, número de CPF ou telefone, passaram a ser utilizados na prática em crimes como a criação fraudulenta de contas bancárias, obtenção de crédito entre outros.

 

Também estão se observando novas modalidades de phishing que envolvem o WhatsApp e canais de atendimento e comunicação de varejistas, aproveitando a jornada do cliente para o roubo de dados como números de cartão de crédito e credenciais de acesso a sites de compras e bancos.

 

Tudo isso mostra como é de grande importância que as equipes de segurança mantenham a integridade de sistemas, aplicações e ambientes a fim de reduzir as chances de um incidente, principalmente neste período. E nos trazem muitos questionamentos, os quais motivaram esta série de artigos.

 

No próximo post (disponível aqui) conheceremos e nos aprofundaremos um pouco mais no cenário das ameaças e fraudes praticadas contra o varejo no Brasil e, no último da série (que será publicado no dia 16/10), iremos elencar algumas boas práticas para o combate a essas ameaças e fraudes no setor.

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